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GLADA – Grande Loja Arquitetos de Aquário São Paulo – Brasil CLIPSAS 45 ANOS
A fundação da Grande Loja Unida da Inglaterra pode considerar-se como o evento maçônico mais importante do século 18, congregando Lojas sob uma administração centralizada, padronizando ritos e procedimentos, dando-lhes corpo, enfim. A união de Lojas em torno de uma administração central foi sucedida algum tempo depois pela unificação dos pequenos reinados, ducados e principados europeus, resultando nos países que hoje conhecemos. Reconhecemos aí uma tendência do nosso tempo para a aglutinação em torno de ideais, gêneros de atividade e centros de poder. Tudo isso veio a desembocar na globalização e na formação dos grandes blocos políticos e econômicos do mundo atual. Contudo, junto com a uniformização de preceitos filosóficos, a fundação da GLUI veio acompanhada dos preconceitos e dogmatismos próprios da época e lugar de seu nascimento. Landmarks estranhos aos velhos costumes maçônicos foram introduzidos na compilação de Anderson. É natural que a Maçonaria se revista das características exteriores de seu tempo, mas isto não significa que deva aderir a dogmas locais, pois esta é uma instituição cujo principal propósito é exatamente combater todos os dogmas. Além disso, a GLUI estabeleceu critérios de “regularidade” inaceitáveis, arrogando-se poderes que hoje não reconhecemos. Adivinhamos nesses critérios de “regularidade” não uma preocupação com a pureza dos preceitos maçônicos, mas um mero resquício de colonialismo. Assim, a fundação do CLIPSAS foi uma autêntica necessidade histórica, marcou um novo momento na evolução da Maçonaria. e foi certamente o evento maçônico mais importante do século 20. Restaurou-se o conteúdo laico e adogmático da Ordem, que deve considerar-se uma entidade atemporal, além e acima das religiões locais, crenças particulares e “verdades reveladas”. Hoje imprimimos uma nova forma de vivência fraterna, adaptando-nos aos hábitos modernos; comunicamo-nos via satélite e nos cumprimentamos pela Internet. Simplificamos nossos Ritos, em comparação aos velhos costumes, mas, o que é muito mais importante, conservamos sua essência. O CLIPSAS cumpriu bravamente sua missão nestes 45 anos, reunificando a Maçonaria em torno de uma nova bandeira – a do laicismo e da liberdade de pensamento. Estamos com isso acompanhando a corrente do nosso tempo, que exige a separação da religião do Estado. Grandes resultados se conseguiram, propiciando o surgimento da União Européia e do Parlamento Europeu, além dos novos blocos econômicos que ajudaram a restaurar o equilíbrio político do mundo, ameaçado com o enfraquecimento da ex-União Soviética. São conquistas que se podem atribuir aos maçons em geral e à atividade do CLIPSAS em particular, muito especialmente pela ação notável das principais Obediências maçônicas européias -- liberais, laicas e adogmáticas – que lideraram este movimento. Hoje, pessoas e países ameaçados de violação de seus direitos podem recorrer ao Parlamento Europeu, uma instância certamente mais atuante que qualquer organismo da ONU. É um passo importantíssimo da direção da democracia, da paz mundial e da justiça. Mas o papel do CLIPSAS, a nosso ver, não está concluído. Não se trata mais apenas de receber e congregar Potências Maçônicas por considerá-las legítimas e coerentes com uma diretriz laica. Trata-se agora de ir mais adiante, levando propostas aos governos do mundo, aos órgãos internacionais, ONGs, Instituições de toda espécie, sugerindo medidas úteis à manutenção da paz, à prosperidade dos povos, à redução dos focos de tensões políticas, ao restabelecimento de relações diplomáticas, à solução de problemas sociais e econômicos em países e regiões, à extinção da pobreza e das guerras, à melhoria dos sistemas educacionais, às decisões que conduzam à mais efetiva proteção ambiental de nosso planeta. Seja através de mecanismos de conscientização, seja através de protestos e denúncias reiteradas, seja mediante a pressão constante sobre forças políticas, seja dando suporte a ONGs já existentes, é preciso promover a mudança de pensamento, a liberação das consciências, a fim de despertar na Humanidade o amor à Verdade, mais que a sanha de lucro, poder e privilégios. No curso da História, foram sempre pensadores maçons que idealizaram e catalizaram as idéias-chave que fomentaram as grandes mudanças. Há na História como que uma tocha, semelhante àquela que levam os atletas olímpicos através dos países, rumo a um grande evento que reúne os mais aptos em cada modalidade; há uma tocha que é levada pelos pensadores livres, comunicando aos povos, de geração em geração, o resumo dos ensinamentos obtidos pelas civilizações que nos antecederam, as experiências boas ou dolorosas que elas viveram, a sabedoria que elas alcançaram através dos seus erros e acertos. Propomos que os pensadores livres do CLIPSAS, hoje em número bastante significativo, comecem a trabalhar em seus países e comunidades, mais efetivamente do que nunca, os ideais próprios da maçonaria, não apenas como um sistema de moral ou um simples modo de pensar, mas como uma das mais importantes e constantes atividades diárias, um dever quotidiano. Sentimos a urgência dessa atuação ao vermos o estado desesperador de certas regiões da Terra, sofrendo terrivelmente pelos mais variados motivos; é como um chamado extremo de socorro, ao qual não devemos omitir-nos, já que outros poderes constituídos não conseguem ou não se importam de promover as mudanças necessárias, nem mesmo as mais óbvias. A Maçonaria deve manifestar-se de modo mais incisivo através dos meios de comunicação e dos canais que cada sociedade nos abre, a fim de exigir mais justiça, mais transparência, mais integridade moral por parte dos dirigentes de povos, mais energia no combate à corrupção, ao crime organizado, à miséria, aos conchavos políticos, aos cartéis e aos vícios e mazelas tolerados devido a interesses de grupos econômicos. Todo conhecimento gera em nós um dever moral; a Iniciação nos impõe um compromisso perante a Humanidade. Deixar de cumpri-lo é estar em falta com a mais elementar obrigação maçônica, assumida no dia de nosso ingresso na Ordem. Lembremo-nos dos maçons que nos antecederam e que deram sua vida pela causa da Humanidade; sejamos dignos deles e de sua herança de honra! Não basta sonhar e idealizar; é preciso transformar nosso pensamento em ação, a todo momento, em toda parte, a fim de construirmos realmente um mundo melhor.
Vera Facciollo – Grã-Mestra
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