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CLIPSAS 45 Anos. Balanço e Perspectivas
Não é pouco, para qualquer associação, atingir os 45 anos de existência. É um longa existência, prova viva de seriedade e de consolidação. Aparentemente, nos primeiros tempos de sua existência o Clipsas agiu como braço político de algumas grandes obediências européias que participaram de sua fundação. Porém, depois de 1996, operou-se uma grande mudança. Diversos membros, inclusive alguns fundadores, contrariados porque não lograram impor modificações que pretendiam, tendo sido derrotados em diversas votações, decidiram afastar-se do Clipsas. Essa cisão causou grande comoção e ameaçou enfraquecer a organização. Tentaram de todas as formas esvaziar o Clipsas seja captando seus membros, seja criando outros organismos cuja finalidade era competir com ele. Em vão. As dificuldades serviram para que a grande maioria dos membros se apegasse ainda mais aos ideais do Clipsas de liberdade absoluta de consciência. E houve quem ficasse fiel aos princípios, à idéia de ter uma organização liberal de nível mundial, e sob as presidências de Javier Otaola (Grande Loja Simbólica Espanhola) e Marc-Antoine Cauchie (Grande Oriente de Luxemburgo), o Clipsas se reorganizou e resistiu aos golpes recebidos de todos os lados. Mais e mais membros se incorporaram, de modo que a representatividade mundial se tornou ainda maior. Com o passar dos tempos, e importantes adesões de todos os países, o CLIPSAS foi realmente tornando-se um Centro de Ligação e de Informação. O resultado é que temos atualmente um CLIPSAS forte, representativo da maçonaria liberal e adogmática mundial e que ainda busca uma definição mais precisa de seu papel no mundo atual. Penso que a resposta a essa inquietude está no seu nome: CENTRO DE LIGAÇÃO E DE INFORMAÇÃO. Europa, África, Ásia, Américas do Norte ao Sul estão representadas por mais de 50 organismos maçônicos. O lema do CLIPSAS: liberdade absoluta de consciência dá a palavra-chave de seu sucesso. Na época em que vivemos, o ser humano não procura mais dogmas para acorrenta-lo. Ao contrário, procura formas de se ver livre dos grilhões que por tanto tempo oprimiram sua liberdade de consciência. O CLIPSAS reúne a maçonaria liberal e adogmática e tem sua organização em torno de sua Assembléia anual, dividida principalmente em dois dias de trabalhos, um deles dedicado ao Colóquio. Neste dia, maçons e maçonas de todas as partes do mundo expõem suas opiniões, das mais simples às mais intelectualizadas, sobre um tema que foi adotado para estudo pela Assembléia Geral anterior. O Colóquio e os trabalhos que ali são apresentados concretizam nossos aportes culturais no debate de temas importantes não só para o homem-maçon como também para toda a humanidade. Esses trabalhos são acessíveis a todos no web-site do Clipsas As potências maçônicas integrantes do CLIPSAS dispõem, assim, de todo o ano para preparar trabalhos sobre o tema proposto. Isso permite uma indiscutível qualidade. No outro dia, a Assembléia Geral propriamente dita, discute e decide sobre toda a administração do Clipsas, elegendo a diretoria (Bureau). Não menos importante é o que acontece nos intervalos das reuniões e refeições: a ligação entre os membros, que assim têm a oportunidade de se conhecerem, de trocarem experiências sobre o que se faz no âmbito de cada potência, de cada loja, os rumos tomados pela maçonaria em seu país e detalhes sobre a execução de cada rito. É prazeroso ver as diferentes potências firmando acordos formais de amizade e reconhecimento recíproco. É reconfortante ver os grupos mesclados, procurando alterar os componentes das mesas a cada refeição, como se todos quisessem com avidez intercambiar com o maior número de pessoas as suas próprias experiências. Esta ligação se projeta durante todo o ano, com os múltiplos convites que se recebe para as mais diversas cerimônias e comemorações maçônicas. Essa ligação se estreita quando nós, ano após ano, tal qual os antigos membros das corporações de artes e ofícios, nos reunimos para dar conta de nossos trabalhos, trazer as novidades e despedirmo-nos para mais um ano de labutas. Tempos atrás o CLIPSAS publicava uma Revista o CLIPSAS NEWS na qual trazia importantes informações de interesses de seus membros e dos maçons em geral. Hoje, em tempos de dificuldades financeiras para publicar e distribuir pelo mundo uma revista, restou aos web-sites tanto do Clipsas quanto de seus membros, esse trabalho de informação. Essa tarefa de Centro de Informação pode melhorar muito se os membros se sentirem incentivados a levar ao web site do Clipsas as suas contribuições. Essa página web deve constituir-se num instrumento de troca de informações. Seja das informações que o Clipsas tem a levar a seus membros, seja do que esses têm a informar uns aos outros. Ninguém pode negar a representatividade do Clipsas que é a maior organização da maçonaria liberal do mundo. Hoje o Clipsas tem finanças em boas condições, tem estabilidade sem temores de surpresas, e está em vias de definir rumos para seu futuro. Eu sou por princípios um idealista. Creio na perfectibilidade do ser humano e creio que é possível chegarmos a uma verdadeira fraternidade entre maçons. Mas temos que trabalhar para isso, especialmente pondo em prática valores de igualdade, liberdade e fraternidade. Teríamos que voltar um pouco para os nossos tempos de recém iniciados e percorrer nossos rituais do primeiro ao terceiro grau e redescobrirmos o idealismo, o de cavalheiresco que tem a maçonaria e, tratando de voltar a isso, despojarmo-nos de nossos orgulhos de sereníssimos, de ilustres e poderosos, de soberanos e outras tantas coisas que chamamos de títulos e qualidades maçônicos. Temos que voltar ao humanismo da condição de aprendiz que com seus passos titubeantes está aprendendo o significado de tudo. Assim, com humildade de aprendizes poderemos resolver nossas diferenças e aspirar a uma vida maçônica, cheia de paz, de fraternidade e com absoluta liberdade de consciência. Há outras coisas mais. Há os membros que partiram. Não concordo que o principal objetivo de um presidente seja o de passar todo seu tempo buscando seu regresso. Acredito que devemos mostra-lhes os caminhos que percorre o Clipsas atual, deixando claro que temos portas abertas às potências maçônicas que se identifiquem com eles. Muito se falou sobre as Nações Unidas. Falou-se de o Clipsas participar na condição de observador, como outras ONG’s (Organizações Não-Governamentais). Falamos muito sobre isso e pouco fizemos em termos materiais para atingir essa meta. Creio que devemos discutir essa questão no seio do Clipsas porque há entre os membros, os que são favoráveis à exteriorização e outros que lhe são contrários. Devemos deixar bem claro a que título seria nossa participação. Se vamos falar em nome dos membros do Clipsas, se vamos falar em nome da Maçonaria Liberal e Adogmática, enfim, que vamos fazer, como vamos nos comportar uma vez cheguemos a ser admitidos. Por fim, eu gostaria de deixar bem claro que não sou um candidato de divisão. Não quero ser um Presidente das Américas ou da América Latina. Antes prefiro voltar à condição de representante de minha Grande Loja, participar como me seja possível e não causar divisões ou lutas por vãs diferenças ou pelo título formal de Presidente. Queria ter companheiros Vice-Presidentes e Vice-presidentas comprometidos em trabalhar seriamente pelos fins principais do Clipsas de hoje, que devem ser a LIGAÇÃO e a INFORMAÇÃO. Não os esqueçamos que o CLIPSAS tem um capital, um patrimônio histórico de quase 50 anos de existência. Não é pouco. Tem representatividade em todo o hemisfério ocidental. É a maior organização maçônica liberal e adogmática do mundo. Não é pouco. Tenho dito ! Porto, 18 de maio de 2007.
JEFFERSON I. J. SCHEER
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